Rubricas Avaliações

Por que rubricas são indispensáveis para avaliações transparentes

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O João recebe a prova da semana passada e fica muito feliz. Ele tirou 9,5! Uma nota excelente, ele pensa, levando em consideração que nem tinha estudado tanto tempo para o tópico. Mesmo assim, ele se direciona à mesa do professor, perguntando: “Professor Pedro, só uma pergunta: Por que eu não tirei 10?” O professor responde: “João, você fez uma ótima apresentação, mas o seu desenho para ilustrar o texto poderia ter sido mais impactante!” Como o João acabou de fazer 11 anos no mês passado e, portanto, não desenvolveu ainda a competência de duvidar do mestre, ele não questiona a resposta e vai para casa tentando entender o significado da palavra “impactante” e como ele poderia desenhar de forma mais impactante da próxima vez. Mas se o docente tivesse falado com um especialista em rubricas, ele teria sido questionado, sim.

Cenas como a descrita acima acontecem nas salas de aula diariamente, inclusive em escolas de países que estão no topo do ranking do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), teste mundial que avalia o desempenho de alunos de 15 anos nas áreas de matemática, ciências e leitura. Aliás, o Brasil ficou em 2015, última edição do teste, na 66ª posição de 72 países participantes em matemática, mas esse é outro assunto.

E por que será que hoje ainda é assim? A minha avaliação é a seguinte: a maioria dos professores que responde do mesmo jeito que o professor Pedro no exemplo acima simplesmente não sabe que existe um método melhor de avaliação. Pois, em princípio, os professores querem sempre o melhor para o aluno. Então, qual seria esse método?

A palavra mágica se chama “rubrica”, ou “rubricas”. Ou ainda em outras palavras: “grade de competências”.

Rubricas Apresentações DEF200617
A rubrica acima é um exemplo para avaliar a apresentação das ideias principais de um livro. Ela pode ser modificada pelo professor tanto em relação aos critérios como também quanto à descrição das exigências para cada critério. Destacado na cor laranja: o desempenho fictício de um aluno que tira a nota 7. Para ampliar a imagem, clicar no link abaixo:

Rubrica para Apresentações

Alguns entendidos falam também de “grade de critérios”. Na verdade, tanto faz qual palavra você utiliza. O que importa é a resposta certa que o professor Pedro deveria ter dado para o João: “João, você fez uma ótima apresentação, mas como eu te falei no início do seu processo de aprendizagem, o seu desenho tinha que ser colorido, usando pelo menos cinco cores diferentes. Como o desenho para o seu texto era preto e branco, eu tive que tirar meio ponto, já que o combinado era que você receberia meio ponto para um desenho colorido com pelo menos cinco cores diferentes.” – “Nossa, professor! Eu tinha me esquecido das cores! Agora entendi melhor a minha nota. Da próxima vez, vou prestar mais atenção nos critérios exigidos para a prova.”

Esse exemplo ilustra que o papel do professor quanto às avaliações é de extrema importância. Uma sequência de aulas deveria sempre iniciar com a maior transparência possível em relação aos objetivos. Aonde os alunos precisam chegar ao final? O que eu vou exigir deles? De que forma eu vou avaliá-los? Vou conseguir observar na prática o que eles estão produzindo e aquilo é mensurável?

Os bons professores já sabem disso faz tempo. E não é por acaso que eles acabam tendo alunos mais motivados em sala de aula, pois esses alunos recebem um feedback valioso dos seus professores após cada sequência de aulas. E com esse feedback individual e pouco subjetivo eles sabem exatamente qual das diversas competências eles precisam melhorar ainda.

E o nosso João do início do texto? Ele saberia agora que o significado da palavra “impactante”, pelo menos para o seu professor Pedro, é “colorido” e “utilizar pelo menos cinco cores diferentes”.

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Andreas Panse é suíço e mora no Brasil desde 2005. Formado em Pedagogia pela Universidade de Zurique, atua como consultor pedagógico na Escola Suíço-Brasileira. Leia mais…
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