segredo aprender língua estrangeira

O segredo para acelerar a aprendizagem de uma língua estrangeira

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Esses dias estão acontecendo os jogos da final de basquete da liga americana NBA (National Basketball Association). Os Golden State Warriors enfrentam os Cleveland Cavaliers pela terceira vez consecutiva em três anos e tudo indica que será novamente uma disputa acirrada pelo título.

Mas o que um jogo de basquete tem a ver com a aprendizagem de uma língua estrangeira? Muito simples: quem quer aprimorar o seu inglês não pode desperdiçar uma oportunidade de assistir a uma partida entre Stephen Curry e LeBron James com o comentário no idioma original. Como exemplo, basta ter acesso aos canais ESPN e clicar em um dos botões coloridos para mudar do Português para o Inglês. E existem outras opções, como o próprio site da NBA.

Confesso que no início foi um pouco difícil entender as falas. O vocabulário específico do basquete não é para principiantes, mas mesmo não entendendo tudo (a minha língua materna é o Alemão), o que vale é a exposição aos comentários autênticos dos locutores americanos. Um exemplo: “he’s shooting from downtown” não tem nada a ver com a área de uma cidade, mas muito mais com a tentativa de um jogador acertar a cesta com um arremesso de trás da linha dos 3 pontos. Além disso, só para lembrar: um bebê também não sai falando nem a língua materna desde o primeiro dia de vida e demora bastante para as primeiras palavras saírem da forma correta.

E agora vem a explicação do grande segredo: esse exercício de compreensão oral é somente válido para quem adora basquete e assistiria aos jogos de qualquer forma e independente da língua. Se você não gostar de basquete, não faça esse exercício. Vai ser contra produtivo. Mas será que você gosta de outra coisa? Cachorros? Ou buracos negros? Talvez queira saber como fazer crepes?

Então, a única maneira que vai ajudar é procurar um programa de TV, uma série, um podcast ou um vídeo no YouTube sobre o seu tema favorito. Algo que você se dedicaria de qualquer forma, um assunto que você adora e coloca como item prioritário no roteiro do seu dia a dia. Algo que traz alegria e que a partir de agora, você vai curtir não só no seu idioma, mas também de vez em quando na língua que você quer aprimorar mais (a chamada target language, como se fala em inglês).

Para ajudar os meus alunos do curso de Alemão (Ensino Médio), fiz um exercício de reflexão recentemente, promovendo a seguinte atividade:

  • Identifiquem o que adoram fazer;
  • Escolham três assuntos;
  • Procurem áudios, vídeos, podcasts, documentários, entrevistas, etc. a respeito dos temas, na língua alemã;
  • Coloquem um alarme diário (ou pelo menos semanal) no seu smartphone para não se esquecer de praticar na língua desejada;
  • Apresentem um resumo do que aprenderam após um mês.

Um aluno começou a procurar a respeito de lutas UFC (Ultimate Fighting Championship) na Alemanha. Ele estava convicto que o país europeu não conhecia o esporte. E ficou muito surpreso ao descobrir que: sim, na Alemanha existem lutadores de UFC também e o mais famoso deles se chama Nick Hein. Além disso, os alunos descobriram outros canais de informação como a revista online “kicker.de”, que fala principalmente sobre futebol. O aluno ficou surpreso que encontrou até um artigo escrito em Alemão que falava sobre o Chapecoense, time que perdeu recentemente a maioria dos jogadores num acidente de avião, mas que atualmente está no topo do campeonato brasileiro.

Por que então esse método acaba acelerando tanto o aprendizado? Quando nós gostamos muito de um assunto, não associamos a atividade a algo cansativo. Ao contrário, nos divertimos e não ficamos com a sensação que perdemos tempo precioso do nosso dia.

O que não significa que os alunos não deveriam estudar sobre assuntos que não são do dia a dia deles. No caso do Alemão, precisam aprender sobre Goethe também. E se a literatura for ensinada de forma criativa e motivadora, muitos se apaixonarão pelas obras dos escritores alemães mais influentes. Mas se nós perguntarmos para eles de vez em quando o que eles gostam e dermos alguns espaços para que se aprofundem em algo com o que realmente se identificam, só poderemos ganhar com isso.

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Andreas Panse é suíço e mora no Brasil desde 2005. Formado em Pedagogia pela Universidade de Zurique, atua como consultor pedagógico na Escola Suíço-Brasileira. Leia mais…
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