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Fazer app para identificar animais, árvores e flores?!

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Esses dias estou em Bonito, no Mato Grosso do Sul, imerso num cenário deslumbrante quanto à natureza. Várias vezes, fiquei observando os inúmeros animais que aqui fazem parte do dia a dia, por exemplo, as araras vermelhas, periquitos-rei, cutias e macacos-prego. Porém, como moro bem longe daqui, numa cidade que não oferece a mesma beleza natural, pelo menos não no meu ambiente de trabalho ou em casa, tenho muitas vezes dificuldade em identificar o que se apresenta na minha frente: pássaros lindos, mamíferos raros, plantas e flores coloridas, plantações e árvores, enfim, tudo que a natureza oferece.

Já durante o caminho de São Paulo para cá (viemos 1.200 quilômetros de carro!), surgiu a vontade de identificar animais ou plantações e consequentemente a dúvida se existe um aplicativo que informa os nomes no momento exato que surge a curiosidade em saber mais sobre o que você está vendo. Estamos acostumados com aplicativos que identificam músicas em real time, como o Shazam, ou a ferramenta do Google que consegue traduzir até cardápios num restaurante japonês para o português (Google Tradutor). Mas será que existe um aplicativo que identifica a fauna e flora do Brasil? Ou melhor ainda, do mundo inteiro?

Caso sim, ficaria feliz se pudessem compartilhar as informações aqui nesse espaço. Caso não, quero incentivar os desenvolvedores de apps mais inovadores a se juntarem com os professores de biologia mais capacitados para criarem uma ferramenta que ajuda a todos a saber cada vez mais sobre a natureza que nos rodeia. Pois é dessa forma que conseguimos cada vez mais conscientizar as pessoas sobre o assunto que interessa a todos nós: a preservação do meio ambiente.

Confiram também o vídeo abaixo para saber mais sobre como surgiu a ideia de criar um aplicativo para identificar animais, árvores e flores ao nosso redor:

Fazer app para identificar animais, árvores e flores?!

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Neste contexto, vale a pena ainda destacar três curiosidades sobre os dias que passei com a minha família aqui em Bonito e no Pantanal Sul, lugares maravilhosos para conhecer:

  1. As araras vermelhas, que eu consegui observar tanto no famoso Buraco das Araras perto de Bonito como também na região de Miranda, têm um nome diferente dependendo da língua utilizada: em Inglês se chamam red and green macaw, enfatizando a presença da cor verde nas penas. E os Alemães colocam tanto peso na presença da cor verde que o vermelho sai até do nome: Grünflügelara, ou seja, arara de asa verde.
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Araras vermelhas e periquitos-rei no quebra-torto (café da manhã no Mato Grosso do Sul).
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Buraco das Araras, maior dolina da América do Sul, com 120 araras vermelhas, profundidade de 100 metros, circunferência de 500 metros, diâmetro de 160 metros e um lago no fundo.
  1. No Pantanal, o café da manhã é chamado de quebra-torto. Ao sermos informados sobre o horário da primeira refeição onde ficamos hospedados, a recepcionista percebeu logo que fizemos uma cara de quem não tinha entendido nada. Ela explicou que o termo vem da época em que muitos passaram a noite na rede, o que os deixou tortos para levantar de manhã.

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  1. Um dos passeios que fizemos foi a chamada Trilha Vazante. Durante as três horas de passar pelo pântano, observando inúmeros pássaros voando pela paisagem deslumbrante, recebemos muitas informações valiosas pelo nosso guia competente. O Edir falava Inglês também, o que foi a salvação dos dois holandeses do nosso grupo. O que mais me impressionou foi o fato de que o guia tinha adquirido o seu excelente Inglês como autodidata, que ao perguntar do método utilizado para se comunicar tão bem no idioma, respondeu o seguinte:

“Aprendi tudo com os biólogos que passaram por aqui, fazendo estudos do meio. Eles me ensinavam os nomes em Inglês e depois, eu aprimorei os meus conhecimentos com um livro que veio acompanhado por um áudio. Quando eu já sabia o suficiente para ajudar alguns turistas estrangeiros, eu continuei aprendendo cada vez mais com eles, perguntando para os viajantes que tinham muito conhecimento também.”

Fiquei admirado pela perseverança do Edir, pois mostra que, mesmo com condições pouco favoráveis, é possível aprender uma língua estrangeira de forma independente e com muita vontade e dedicação. Sei também que nem todos conseguiriam fazer o mesmo esforço. Mas fiquei imaginando quantos Edirs ainda deveriam ter por aí que com um pouco mais de qualidade na formação básica chegariam muito mais longe.

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Andreas Panse é suíço e mora no Brasil desde 2005. Formado em Pedagogia pela Universidade de Zurique, atua como consultor pedagógico na Escola Suíço-Brasileira. Leia mais…
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2 comentários em “Fazer app para identificar animais, árvores e flores?!”

  1. É sem dúvida uma excelente ideia a desse desenvolvimento. Eu vi um post antigo de 2015 sobre o Merlin Bird ID, um desenvolvimento conjunto entre Google e a universidade de Cornell para tentar identificar 750 espécies de aves da América do Norte. Entretanto, não sei se existe algo semelhante para tentar identificar a fica fauna brasileira. Acredito que seria possível utilizar o mesmo programa como base, mas alimentá-lo com um banco de fotos dos pássaros locais e informações que os biólogos aqui poderiam contribuir (região em que cada pássaro vive, características dos pássaros). O canto de algumas aves poderia ser utilizado da mesma forma que no Shazam. Interessante que um dos desenvolvedores do Merlin team é um brasileiro que gosta de passar o tempo no cerrado brasileiro (na descrição do próprio site – http://merlin.allaboutbirds.org/the-story/). Talvez ele possa ajudar o projeto a tomar forma aqui no Brasil!

    Gostei também sobre a curiosidade da variação dos nomes dependendo da língua. Outro exemplo que reparei numa visita ao Parque das Aves em Foz do Iguaçú foi a Marianinha-de-cabeça-amarela. Em inglês, ela pode ser White-Bellied Parrot ou Green-Thighed Parrot. Novamente, ênfases diferentes em cores e partes do corpo dependendo da língua.

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