Grande Encontro da Educação 2017 Roberto Celestino IBM Watson

“O Watson vai substituir o professor?” – Veja esta e mais 10 reflexões de palestrantes do Grande Encontro da Educação 2017

Nenhum comentário

A 3ª edição do evento Grande Encontro da Educação 2017 ocorreu nos dias 28 e 29 de agosto no Centro de Convenções Rebouças em São Paulo e teve como tema “Painel de discussões para o gestor da educação privada brasileira”. O encontro contou com excelentes apresentações a respeito do futuro educacional no país e no mundo.

O Professor Inovador esteve lá e selecionou 11 reflexões e ideias para você que perdeu este evento.

(1) “O Watson não vai substituir o professor, mas apoiá-lo!” Roberto Celestino

Roberto Celestino, representante do setor educacional da IBM, apresentou as possibilidades da plataforma Watson na educação. O Watson é uma plataforma de serviços cognitivos que se propõe a interpretar textos e imagens, entender emoções, responder perguntas, entre outras funções. Na educação, esta plataforma pode contribuir muito para uma individualização mais eficaz do ensino, ajudando tanto os alunos que têm mais facilidade quanto os que se beneficiam de um acompanhamento mais próximo. De qualquer forma, o professor precisa se preparar para uma mudança em relação ao papel dele em sala de aula: passar menos conhecimento (que o próprio Watson vai disponibilizar) e focar mais em facilitar o processo de aprendizado.

(2) “Escola é lugar de convívio interpessoal!” César Callegari

Membro do Conselho Nacional de Educação, César Callegari discorreu sobre a implantação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que segundo ele não vai acontecer antes de 2021. Comentou também que o Ensino à Distância pode ser muito interessante para alguns setores, mas não para a educação básica. Se no futuro o conhecimento estiver ao alcance da maioria, a escola deverá servir em primeiro lugar, como principal local de encontro dos jovens e adolescentes, promovendo desta forma o convívio social. Competências socioemocionais como resiliência, cooperação e comunicação interpessoal, que vêm sendo reivindicadas frequentemente pelo mercado de trabalho, poderão ser fortalecidas.

Cesar Callegari
Da esquerda para a direita: César Callegari, Rubem Barros e Aldeir Rocha

(3) “Tem que focar naquilo em que você é bom!” Miguel Thompson

Diretor do Instituto Singularidades, Miguel Thompson enfatizou a importância das escolas não tentarem fazer tudo 100% bem feito, pois seria impossível atingir essa meta. Portanto, é melhor focar numa especialidade e juntar todas as forças para conseguir entregar um ótimo trabalho no que diz respeito a esse objetivo específico. Por exemplo: ser a melhor escola em redação.

(4) “A Escola precisa fortalecer o autoconhecimento dos alunos!” Maíra Habimorad

A diretora da Cia. de Talentos, Maíra Habimorad conhece muito bem o que o mercado de trabalho exige dos recém-formados. Uma das competências-chave que o aluno deve ter é o autoconhecimento. Portanto, ela pediu às escolas que promovessem cada vez mais atividades que fortaleçam a percepção de si mesmo. Uma ouvinte na plateia que trabalha com RH concordou plenamente com essa visão:

Nós contratamos pessoas pelo currículo e as demitimos pelo comportamento!”

Grande Encontro da Educação 2017 - Maíra Habimorad
Maíra Habimorad, da Cia. de Talentos.

(5) “Se os pais não querem ter muito contato com a escola, isso não significa necessariamente algo ruim!” José Ernesto Bologna

José Ernesto Bologna é psicólogo e fundador da Ethos Sharewoods. Ele mencionou que se alguns pais não procuram a escola, não quer dizer necessariamente que isso seja alarmante. Talvez eles confiem de tal maneira na escola que não vejam a necessidade de interferir demais na formação do filho. Afinal, é ele que frequenta diariamente a escola e que está no centro do processo de aprendizado.

(6) “O ensino não pode ser fragmentado!” Aldeir Rocha

O mestre em Educação na Universidade Federal de Juiz de Fora, Aldeir Rocha, criticou o ensino tradicional que passa o conteúdo por matérias isoladas uma da outra e contribui desta forma para um aprendizado pouco significativo. A recomendação dele é apostar mais na interdisciplinaridade e trabalhar as questões de forma mais ampla e desafiadora. O Project Based Learning (PBL) contribui bastante para essa meta e engaja tanto alunos quanto professores de forma mais efetiva.

(7) “Traga elementos de outros mundos para inovar na educação!” Andrezza Amorelli

Andrezza Amorelli é diretora do Colégio Elvira Brandão e defende que não é necessário consultar Paulo Freire, Jean Piaget ou Lev Vygotsky para inovar na educação. Tem que buscar também novos inputs de setores diferentes, por exemplo, o design, teatro ou cinema. Só desta forma o professor inova de verdade, pois juntando ideias de áreas distintas conseguimos pensar fora da caixa. Para ilustrar melhor, Amorelli acrescentou:

Eu, diretora, não tenho sala própria no Elvira Brandão. Lá também não tem coordenação, não tem inspetores e não tem sinal.”

(8) Zeitgeist não só na arte, mas também na educação!” Alexandre Le Voci Sayad

O diretor da ZeitGeist, Educação, Cultura e Mídia, Alexandre Le Voci Sayad, explicou como chegou no nome para a sua própria consultoria: a palavra alemã Zeitgeist significa “espírito do tempo”. Em 1769, Johann Gottfried von Herder exigia que a arte refletisse o tempo daquela época. Sayad exige o mesmo das escolas de hoje: que elas representem o espírito do tempo de hoje, o que ainda acontece muito pouco, já que há escolas que ensinam alunos do século XXI com métodos do século XIX.

(9) “Os alunos querem soluções personalizadas!” Tatiana Klix

A jornalista e editora do Portal Porvir, Tatiana Klix ouviu 132 mil estudantes de todo o Brasil para saber o que eles pensam e querem da educação. Ela apresentou as seguintes tendências: os alunos querem soluções personalizadas para cada estudante, mais participação nas decisões escolares, mais rodas de conversa, mais recursos tecnológicos (plataforma adaptativa, apps, videoaulas, gamificação), mais atividades em laboratórios e educação “mão na massa”.

Pesquisa Portal Porvir Tendência Tecnologia na Educação

(10) “O sono consolida o aprendizado DEPOIS da atividade!” Fernando Mazzilli Louzada

Fernando Mazzilli Louzada é neurocientista da Universidade Federal do Paraná. Ele ressaltou que dormir bem é um pré-requisito para ter disposição para aprender novos conteúdos, mas principalmente, é um fator essencial que ajuda na consolidação do conhecimento adquirido. Em outras palavras:

Vamos deixar o nosso cérebro trabalhar por nós enquanto dormimos!”

(11) “É preconceito falar que os pais não cuidam mais dos filhos!” Luciana Bittencourt Fevorini

A diretora do Colégio Equipe, Luciana Bittencourt Fevorini, alerta para a tendência contemporânea de julgar os pais de hoje, generalizando demais a falta de envolvimento dos responsáveis na educação dos filhos. Existem, sim, pais ausentes que, além de não se preocuparem suficientemente com a educação, responsabilizam a escola por tudo que não funciona, porém, cada caso é um caso. Ela vê, por outro lado, muitos pais interessados e preocupados, escolhendo criteriosamente a instituição ideal de ensino e participando ativamente de todas as interações propostas pela escola.

Fazendo um breve resumo dos dois dias no Grande Encontro da Educação 2017, os educadores devem focar nas seguintes tendências:

  • Computação cognitiva com Watson
  • Fortalecimento da interação social e do autoconhecimento
  • Individualização e flexibilização do ensino (quanto ao conteúdo, tempo e espaço)
  • Inovação por meio de ideias e ferramentas trazidas de outros setores
  • Mudança do papel do professor (menos palestrante, mais mentor)
  • Ensino colaborativo
  • Escola aprendente

E você? Enxerga outras tendências relevantes para o futuro da educação? Deixe seu comentário logo abaixo desse post!

***

Andreas Panse é suíço e mora no Brasil desde 2005. Formado em Pedagogia pela Universidade de Zurique, atua como consultor pedagógico na Escola Suíço-Brasileira. Leia mais…
Compartilhar

Deixe uma resposta