fluência digital

É possível adquirir fluência digital? Crie seu próprio blog/website e aprenda na prática!

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Se alguém tivesse me perguntado um ano atrás o que eu achava de blogs, a minha resposta teria sido: “Nem pensar! Blog é coisa do passado!” Hoje penso diferente. A criação do meu blog professorinovador.com, um website para compartilhar práticas da minha sala de aula e promover reflexões a respeito de diversos temas educacionais, me proporcionou muitas experiências valiosas para aumentar a minha própria fluência digital. Eu recomendo o exercício a todos os profissionais da área de educação, principalmente aos professores que lidam diariamente com os nativos digitais.

Por que então criar um blog? Quais os aprendizados que ele pode nos trazer? Quero compartilhar aqui os 5 aspectos mais relevantes de uma reflexão recente a respeito da minha experiência nos últimos 12 meses:

(01) Colaboração

Compartilhar as experiências que deram certo na prática, as chamadas best practices, é minha contribuição para quem quer aproveitar essas considerações para inovar na sua própria aula. Eu entendo que é melhor para todos os educadores se a concepção de escola não se restringir a um espaço geográfico intramuros. Precisamos abrir cada vez mais as paredes, pelo menos virtualmente. Fico feliz que até hoje, meus 25 posts já foram lidos em mais de 50 países.

Fluência Digital - Google Analytics
A análise do site revela em quais países os posts já foram acessados (cor azul). Clicando no mapa de Portugal, dá para descobrir o número exato de acessos naquele país.

Para a minha geração X (expressão que se refere às pessoas nascidas após o “Baby Boom”), isso era impensável algum tempo atrás. Quando você vê que seu texto é lido por alguém em Moçambique, Angola ou Cabo Verde alguns minutos depois da publicação, você percebe o que a tecnologia possibilita. Tanto que esse é um ótimo exemplo para ilustrar a contribuição da tecnologia: ela é um meio para atingir um fim. A pergunta do professor antes de utilizá-la precisa ser sempre: Para que eu vou usar tecnologia? O que ela agrega? Qual o objetivo?

(02) Credibilidade

Nas minhas aulas de Alemão – que preparam alunos de 17 e 18 anos para o diploma internacional IB (International Baccalaureate) – o gênero textual blogpost é um de 16 tipos diferentes que os jovens precisam conhecer. Aproveitei o meu conhecimento sobre blogs e websites para ampliar o entendimento deles. Falei um pouco sobre o SEO (Search Engine Optimization), por exemplo, que significa otimização para mecanismos de busca ou otimização de sites. Além de comprovar desta forma que o que você ensina pode ser utilizado na vida real, você ganha credibilidade porque fala a língua do mundo dos alunos.

fluência digital - blogpost
Blogpost: um de 16 gêneros textuais no livro didático “Deutsch im Einsatz”, do Bacharelado International (IB)

(03) Português

O exercício constante de escrever textos para o seu “diário público” traz várias vantagens. Como suíço que mora no Brasil desde 2005, consegui aprimorar a minha proficiência em relação ao idioma português, que por mais que eu já tenha investido na aprendizagem, continua sendo uma língua estrangeira para mim. Melhorei também a organização das ideias e constatei que a escolha do título é de fato fundamental para o sucesso de um texto. Além disso, é sempre válido quando você se coloca no lugar do aprendiz, pois sente na própria pele o que seu aluno vivencia na sua aula. Ao longo do ano, elaborei artigos com respeito a várias temáticas, entre elas: mindset, pensamento crítico, rubricas, técnicas de apresentação, objetivos SMART, ensino recíproco, Kahoot, pirâmide de aprendizagem, Projeto Âncora e Modelo das Nações Unidas. O post que, por enquanto, teve mais visualizações foi um checklist para dar aulas cativantes.

dar aulas cativantes
O post mais visualizado até agora foi: “Você sabe dar aulas cativantes? Responda essas 10 perguntas!”

(04) Habilidades

Percebi que podemos aprender muito mais com vídeos, sites e blogs do que eu imaginava. Quase todo conhecimento está lá à nossa disposição. Precisamos somente investir tempo para encontrá-lo, tendo uma visão crítica em relação às fontes. Segue uma seleção de conteúdos que eu aprendi:

  1. aplicar o SEO (Search Engine Optimization) para ranquear melhor o post nos sites de busca, escolhendo slugs curtos e meta-descrições com tamanho e conteúdo ideal
  2. instalar plugins (recurso adicional ao seu software) para otimizar o funcionamento do site
  3. inserir CSS (Cascading Style Sheets) para otimizar o layout no navegador quando necessário (exemplo “scroll down automático”)
  4. analisar termos de busca e links que pessoas utilizam para achar seu conteúdo
  5. criar canais de comunicação e integrá-los no site/blog a fim de possibilitar a publicação automática dos posts neles
  6. achar grupos nas mídias sociais que se interessam pelo conteúdo produzido
  7. criar vídeo-entrevista com software de chamadas de vídeo e editor (inclusive criação de legendas)
  8. escolher a palavra-chave do post e verificar se ela aparece na URL (link da página)
  9. escolher cuidadosamente as tags (palavras-chave dentro do texto)
  10. criar links internos e externos no post
  11. adequar imagens/fotos à resolução que é compatível com todas as redes sociais utilizando um editor
  12. escolher e personalizar o tema (layout) do site na plataforma escolhida

Esses itens ajudam você a escrever um blogpost melhor. E você percebe que a tecnologia serviu de apoio quando um colega professor te dá o seguinte feedback: “Estava lendo um artigo que achei no Google e no final vi que conhecia o autor! Era você!”

(05) Equilíbrio

Assisti recentemente uma palestra de uma pessoa renomada que só falou mal da influência das novas tecnologias na área educacional. Fiquei perplexo pela falta de reflexão mais aprofundada, pois a questão é bem mais complexa. Nós como educadores precisamos refletir constantemente a respeito dos prós e contras das ferramentas digitais. Ao meu ver, o caminho é experimentar na prática o que funciona e o que não.  Você só consegue avaliar a eficácia de uma tecnologia quando fizer um teste na sua sala de aula. Não dá para saber lendo um artigo ou livro teórico. Antigamente, o professor fazia um curso e sabia mais sobre o assunto que o aluno. Hoje não é mais assim. O adulto ensina o jovem e vice-versa. O segredo é compartilhar: eu ensino ainda coisas para meu filho de 11 anos, pois nenhum nativo digital tem 100% fluência digital, mas ele também me ensina. Temos que aceitar isso. Precisamos acompanhar as mudanças digitais. Não dá mais para resistir à cultura digital, mas é preciso manter o equilíbrio. Temos que avaliar nosso próprio comportamento nas redes e mídias sociais. Eu faço esse exercício todos os dias também, tentando deixar de lado o smartphone de forma consciente, sempre que for possível.

fluência digital - geração x
X, Y ou Z? Não importa a geração. O que importa é compartilhar o conhecimento.

Criado em maio de 2017, o blog professorinovador.com recebeu até hoje mais de 10 mil visitantes de 57 países diferentes e conta com mais de 1.000 seguidores. Porém, muito mais importante que os números é o aprendizado que fica: o conhecimento adquirido na prática, e não num curso teórico sobre tecnologia. Sou da geração X e nunca vou ser 100% fluente tecnologicamente. Mas posso ser cada vez mais, colocando em prática a minha responsabilidade pelo meu próprio desenvolvimento.

E você? Como lida com a tecnologia na educação? Compartilhe suas experiências aqui no Professor Inovador!

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Andreas Panse é suíço e mora no Brasil desde 2005. Formado em Pedagogia pela Universidade de Zurique, atua como mentor, consultor e professor na Escola Suíço-Brasileira. Leia mais…
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